O sono não vinha essa noite (como tantas outras), a cabeça de Line pipocava assuntos inacabados (para ela, talvez). Sentiu saudade de ver filme na sala e jogar video game (de comprar um cd de jogo que fosse para ela - sem matanças e sem sangue escorrendo pela tela da TV - tão diferente dos dele). Saudade da companhia de final de semena.
Mas o que ela está sentindo? "- Sinto muito, mas não sinto nada, só saudade". Já não consegue mais chorar e não consegue pensar se ainda sobrou amor depois da forma como terminou (tão sutíl, tão sincera).
Falta coragem de ligar e dizer que a ida ao Hopi-Hari ainda está de pé, que ver seu sorrizo lá do alto da montanha russa ia ser bom demais, mas Line não encontra palavras.
A velha foto ainda está lá: a cópia dela no mural na parede, a cópia dele jogada no fundo da gaveta.
Hoje o sentimento dela é áspero com o mundo. Ontem ouviu do chefe "- Você anda muito estressadinha!" ... coitado, não sabe o quanto.
Line se sente só no meio de tanta gente, se sente invisível perante as pessoas.
Ontem vieram usar (de novo e de novo e de novo) seu ombro para desabafar. Line deve ter cara de psicóloga! Mas com quem será que a psicóloga desabafa?
Ninguém vê que Line também quer falar...
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